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A cultura da violação

  • arvoresdejardim
  • 2 de out. de 2022
  • 1 min de leitura

Ocorreu-me muitas vezes, inconscientemente, comparar a obsessão compulsiva das administrações locais, organismos públicos e empresas privadas, operadores especulativos, especialistas e cidadãos comuns em adoptar a poda e o corte pesado, irracional e desnecessário, como prática normal da gestão e cuidado de árvores, com a violação e o feminicídio, os frutos de uma fobia doentia da sensualidade feminina e o desejo criminoso de possuir, subjugar, domesticar e humilhar.

Violação e feminicídio são aquelas formas especiais de crime em que é o homem que comete violência, mas é a mulher que é culpada porque “deveria tê-la evitado”.

Ao aproximar-se de uma árvore, de uma planta, de uma floresta, é preciso percebê-los com o mesmo espanto que suscita a aparição de uma bela mulher com o encanto sedutor natural e o perfume intrigante que emana de um porte orgulhoso e de uma natureza selvagem e indomável, que exige cuidado e atenção, consciência e respeito; ser amado, não ser violado.


 
 
 

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