O ouro verde
- arvoresdejardim
- 1 de dez. de 2023
- 3 min de leitura
No passado sábado, dia 18 de Novembro, eu enquanto técnico florestal e Antonella Vignati (Nutricionista), realizámos uma oficina na nova Biblioteca Municipal de Lisboa na Casa Jardim da Estrela, sobre a oliveira e o azeite. O evento foi muito bem acolhido, a sala encheu e cumprimos o nosso propósito de educação ao consumidor.
A perspetiva foi multifocal: na parte da Antonella, fomos analizar o valor nutricional, medicinal e até cosmético do produto (o azeite); quanto a mim, que em Itália trabalho como técnico florestal especializado na gestão e manutenção do olival tradicional e como consultor na produção de azeite biológico, falei da importância e do impacto das escolhas em termos de cultivo, não apenas a nível de qualidade do produto mas também sobre o ambiente e a paisagem humana e cultural e a identidade do território. Não é apenas uma dicotomia entre biológico e não biológico, mas falei de outros aspectos do cultivo e da produção que vão muito além. E que podem representar uma opção para resistir de forma economicamente válida à “invasão” das multinacionais espanholas de hiperintensivo em Portugal. Em Itália as inovativas técnicas de poda e apanha dos últimos 20 anos tem conseguido realizar um mercado de pequenos e médios produtores com produtos premiados, ou simplesmente de ótima qualidade, que circulam em mercados locais e informais a preços muito mais baixos que em Portugal.
Enquanto consumidores, temos ainda muito trabalho a fazer em termos de resistência, ativismo ambiental e escolha consciente. Temos que educar também o nosso paladar!
Porque?
Deixo aqui 5 pontos para pensar:
1. Se compras extra-virgem, não precisas que a etiqueta indique “Azeite extra-virgem de 1a extração em frio com meios mecânicos”. Isso é como se a etiqueta duma garrafa de água indicasse “Água sem glúten e priva de bactérias fecais”. O extra-virgem por definição é de primeira extração em frio com meios mecânicos. Não há “extra-virgem de segunda extração a quente e com meios químicos”. Tudo isso existe no mercado, mas é nos produtos que indicam a presença de azeite nos ingredientes (bolachas, focaccias, etc).
2. A obsessão com a baixa acidez é fútil. O extra-virgem por definição tem acidez inferior a 0,8%. Em qualquer caso não é um parâmetro reconhecível ao paladar, nem afeta minimamente o estômago. As pessoas confundem o sabor amargo ou picante com a acidez, mas:
3. O eventual sabor picante ou amargo é DESEJÁVEL, porque é sinal da presença de polifenóis, compostos antioxidantes que protegem as nossas células!
4. Compra azeite extra-virgem, biológico, em garrafa de vidro escura. Esta é a base. Quando o tiveres em casa, verifica que seja mais verde que amarelo, e tenta perceber se tem sabores picantes e amargos. NÃO COMPRES NADA AOS SENHORES DO HIPERINTENSIVO. Sem fazer nomes, evita os que tem uma ave de capoeira na etiqueta e os que se fingem tradicionais do Alentejo mas na verdade são uma multinacional espanhola. Não fazes ideia do prejuízo que é para ti e para o teu País comprar essa caca. Apoia os pequenos produtores, mas não lhes compres os garrafões em plástico. Se conheces produtores, diz-lhes que em Itália resistimos ao hiperintensivo mudando o tipo de poda e apanha. Eu posso ensinar.
5. Compensa o gasto adicional usando menos quantidade. Quando o azeite é bom, é mais saboroso. E as gorduras na nossa alimentação não devem vir só de óleos, mas também e sobretudo de frutos secos e sementes.
A minha missão aqui é trazer estas técnicas de poda e apanha que em Itália está a permitir a resistencia do olival tradicional.
Quem tiver interesse neste evento, pode me contatar para realizar outra ação de formação.
E os produtores que queiram melhorar a qualidade do seu azeite, claro!






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